Na onda ecologicamente correta, seguindo os ensinamentos do
pai da química moderna Antoine Lavoisier, de que “nada se perde, tudo se
transforma”, empresas têm faturado alto com o recolhimento e reciclagem de óleo
de fritura usados nas cozinhas. Vale reaproveitar desde os residenciais até
restaurantes, hotéis, supermercados e redes de fast food. Independentemente do
local de recolhimento, a oportunidade é grande para se ganhar dinheiro com o
que seria um produto inútil e de difícil descarte. De olho num mercado que usa
como matéria-prima um rejeito que, se não for transformado, pode acabar por
contaminar rios e cursos d’água, várias empresas aproveitam a brecha para
lucrar com o serviço. O preço do óleo tratado chega a R$ 1,20, quatro vezes
mais que o valor pago para quem o fornece o produto ainda contendo resíduos. A
maior empresa do ramo na capital chega a faturar mais de R$ 160 mil por mês.
O processo é simples. A empresa recolhedora compra o óleo
bruto de estabelecimentos comerciais, ou, em alguns casos, troca por produtos
de limpeza e, depois de retirar as impurezas, revende-o para empresas de outros
estados e da Grande BH. epois, o óleo é transformado em sabão em barra e até biocombustível.
Veja como é a transformação do óleo de cozinha em produtos
que geram empregos
No mercado há oito anos, a Recóle o Coleta e Reciclagem de
Óleos apanha 140 mil litros de óleo por mês em BH e região metropolitana.
Quando começou, eram apenas 1,6 mil litros mensais. O litro do óleo é comprado
por R$ 0,30 e, depois de tratado, revendido de R$ 1 a R$ 1,20 para empresas de
São Paulo e Goiânia que atuam na produção de biocombustível.
Desde sua criação, a Recóleo, que funciona na Vila São José,
no Bairro Jardim Alvorada, na Região Noroeste de BH, ampliou-se aproveitando a
demanda do setor. Hoje tem 30 funcionários, dos quais 27 são contratados na
própria comunidade. Além disso, são 14 franqueados em Minas e mais de 400 no
Brasil. “Se eu conseguir coletar 1 milhão de litros, tem quem compre tudo”,
sustenta a proprietária e criadora da empresa, Nívea Freitas.
Um grande filão está nas cadeias internacionais de
fast-food, como McDonald’s, Burger King, Habib’s, Outback e Applebee’s. Usando
diariamente milhões de litros de óleo para fritar batatas e hambúrgueres, as
lanchonetes estão na lista de principais fornecedores das empresas do ramo. Em
Belo Horizonte e outras quatro cidades mineiras (Contagem, Betim, Sete Lagoas e
Ipatinga), a empresa contratada para recolher o óleo usado pela rede Arcos
Dourados (McDonald’s, Outback e Applebee’s) é a MG Óleo, prestadora de serviços
da Massa & Vidro. A empresa paga R$ 0,40 por litro recolhido. Segundo a
Arcos Dourados, por mês, são recolhidos entre 5 mil e 6 mil litros de óleo das
três redes e o total pago é repassado para o Instituto Ronaldo McDonald (que
ajuda crianças com câncer).
As pastelarias também são grandes fornecedoras. Somente na
unidade do Fujiyama da Savassi, mensalmente são recolhidos 160 litros de óleo
usado na fritura. Uma vez por semana, segundo o gerente Elson dos Santos, a
empresa contratada busca o material produzido e o troca por produtos de
limpeza. “Não teríamos o que fazer com o óleo”, afirma o funcionário.
De frigideiras ara tanques de caminhões
Em São Paulo, desde o ano passado, os restaurantes do
McDonald’s adaptaram um projeto de logística reversa para abastecer parte dos
caminhões da empresa com o óleo de cozinha usado na fritura das batatinhas. Ao
entregar os produtos numa unidade da rede de fast food, o motorista do caminhão
recolhe vasilhame contendo o óleo e o encaminha para uma usina, em Osasco (SP),
que transforma o produto em biodiesel.
O projeto ainda está em fase de testes. Cinco caminhões da
empresa rodam pelo país com o combustível feito a partir do óleo de cozinha,
num programa inédito no país. Quatro dos caminhões são abastecidos com B20, ou
seja combustível que contém 20% de óleo reciclado, enquanto um veículo usa o
B100, composto exclusivamente de óleo de cozinha transformado. Anualmente, a
rede McDonald’s usa aproximadamente 3 milhões de litros de óleo de cozinha para
fritura de batatas e empanados. A ideia é que o recolhimento e a transformação
de todo esse volume seja capaz de abastecer com biodiesel B40 toda a frota de
caminhões da rede de fast-food no pais.
Além de garantir economia para a empresa, a transformação do
material em combustível contribui para a redução da emissão de gás carbônico,
pois o biodiesel, de origem vegetal, não libera gases provocadores do efeito
estufa, enquanto o diesel, derivado do petróleo, ao ser queimado nos veículos,
libera partículas de CO2. (ZF e PRF)
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