sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Óleo de cozinha usado vale dinheiro

Proprietário de uma pastelaria, localizada no Centro de Cuiabá, Gildo de Oliveira encontrou uma alternativa bastante eficaz para os mais de dois litros de óleo que sobram diariamente com a fritura dos pastéis.

Trata-se da reciclagem do resíduo que sobra e, que se jogado diretamente na pia pode causar entupimento de tubulações, atrair insetos e poluir rios e córregos. Apenas na capital, estima-se que são consumidos mensalmente mais de 500 mil litros de óleo vegetal.

Oliveira optou por doar o resíduo. Mas, o óleo usado na cozinha vale dinheiro e pode render bons lucros. Na capital, uma das empresas que trabalham com reciclagem deste tipo de material é a Óleo Limpo Fernisis, que fica no Distrito Industrial.

A empresa recolhe o óleo de cozinha em restaurantes, bares, lanchonetes, condomínios e edifícios localizados em Cuiabá e Várzea Grande, além de outros municípios mato-grossenses como Rondonópolis, Tangará da Serra e Diamantino.

“O óleo que sobra a gente recolhe e encaminha para uma empresa que faz o reaproveitamento. Mas têm algumas senhoras que pegam para fazer sabão e detergente”, contou a representante da área comercial, Aline Pereira Rach.

Conforme ela, são mais de 600 empresas cadastradas, que armazenam o resíduo em “bombonas” e, assim que estão cheias, é feita a coleta. Após o recolhimento, o óleo de cozinha passa por um processo para a retirada da água e impureza. Em seguida, é comercializado para empresas que fabricam óleo diesel.

O projeto Fernisis também empresta o vasilhame de 50 litros para os “doadores” fazerem o armazenamento. Além disso, em troca do material, a Fernisis oferece produtos como água sanitária ou detergente líquido. Ou então, é pago R$ 0,50 pelo litro do material. “O valor depende da qualidade. Se tem água, borras”, comentou. “Também têm muitas donas de casa que juntam o material em garrafas PETs e, a cada 20 litros, é feita a troca”, acrescentou.

Outra iniciativa é o projeto “Óleo Ecológico da Maxvinil”, em funcionamento há quatro anos na capital. De acordo com o coordenador do projeto, Tabajara Irapuan Garcia, são 1.548 pontos de coletas cadastrados distribuídos pela capital e municípios como Nova Mutum, Rondonópolis, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, entre outros.

O óleo coletado é usado na fabricação de resina, aditivo utilizado na produção de tintas a óleo e esmalte sintético. Por mês, são de 10 a 12 mil litros de óleo de cozinha que deixam de ser descartados indevidamente no meio ambiente. A cada litro é pago o valor de R$ 0,50, que pode ser resgatado em dinheiro ou cupons que podem ser trocados em produtos da Maxvinil e em empresas do ramo de materiais de construção parceiras do projeto.


ALERTA – O óleo de cozinha, quando descartado de forma incorreta, se torna um resíduo altamente poluente. Levantamentos sobre degradação ambiental apontam que cada litro que é lançado no meio ambiente pode poluir um milhão de litros de água. Um problema que se agrava com a diminuição da oxigenação da água dos rios, a impermeabilização do solo que facilita enchentes e entupimento de tubulações.

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